domingo, 9 de agosto de 2020

Estudo: O sagrado se manifesta quando o Homem se permite

 Na época em que Jesus peregrinou sobre a face da Terra, o homem vivia em outro ritmo de vida. Tudo acontecia na velocidade dos passos dos homens, do trotar dos cavalos e no desenvolver das caravanas dos camelos no deserto.
 Um tempo em que o homem podia ser mais reflexivo e, desta forma, conhecer melhor o seu interior e assim, observar o que existia ao seu redor.
 Nos dias atuais, as coisas funcionam em uma velocidade extraordinária. Para se ter uma ideia, ao terminar de digitar este texto, é possível imediatamente compartilhá-lo com uma pessoa que esteja do outro lado do planeta; ela o recebe imediatamente e o devolve na mesma velocidade.
 Se por um lado isso facilita a comunicação, por outro prejudica a reflexão, pois a maioria dos homens se tornou imediatista, querem tudo no seu tempo e na sua hora, mas, em termos espirituais, nada funciona assim, tudo funciona no tempo de Deus.
 A comunicação do homem com o sagrado desenvolve-se em outro espaço de tempo.
 Quando um homem chega à Terra, é como se ele fosse uma forma de bolo vazia.
 No decorrer de sua caminhada, o homem junta a farinha, a água, o sal, o açúcar, a manteiga e outros ingredientes, que misturados se tornaram o homem atual, composto de momentos bons e ruins, alegres e tristes e, com o passar do tempo, ele acaba por descobrir que a estabilidade de sua vida, depende de uma conexão com Deus. É nesta hora que o ritmo de seu tempo deve começar a mudar, para que ele encontre o sagrado. O sagrado não se encontra fora do homem, mas dentro dele próprio. Para encontrá-lo, é necessário acalmar o coração e dispensar a ansiedade.
 Aquele turbilhão que se tornou a massa da vida do homem necessita ser misturado homogeneamente, para que seja possível ser transformado no pão místico do banquete divino.
 A mistura não pode ser abrupta, deve ser trabalhada com a suavidade das mãos e acima de tudo, com a pureza do coração.
 Toda aquela mistura, que antes confundia o entendimento, deve tornar-se macia e suave.
 A massa do tempo deve ser assentada e fermentada, para que gere a grande transformação.
 E o que é o fermentar, senão o acalmar o coração, a ativação da oração e da meditação para adquirir o equilíbrio psicofísico-espiritual.
 Quando chega esse tempo, o homem se torna mais suscetível para realização da transmutação do homem matéria em homem espiritual.
 Nesta hora começa uma nova jornada. Toda aquela massa de conhecimento intelectual e de vivência, depois de assentada e levedada, precisa ser lançada ao forno. É ele que dará o tom e a temperatura certa, para feitura do pão místico.
 Se o forno receber muita pressão do fogo, o pão irá queimar e não terá um cozimento adequado. Se o fogo for frio não cozinhará.
 Tudo deve ser feito no tempo de Deus, na medida certa, pois Deus é o grande transformador do homem matéria em homem espírito.
 Desta feita, é preciso que o homem realize todo o trabalho com amor e carinho, que tenha a convicção de que a grande transformação acontece pela benevolência, misericórdia, piedade, perdão e, acima de tudo, amor de Deus e nunca pelo seu próprio mérito. É nesta hora em que ele descobre que o intelecto que tanto o ajudou na lida com os demais, pode lhe ser um empecilho.
 Quando o homem compreende esse processo alquímico de transformação, passa a trabalhar com mais amor, com mais gratidão, com mais humildade no serviço divino, não espera nada em troca, apenas confia no Senhor, adquire uma fé inabalável dos que procuram ser um servo fiel.
 Na hora em que o homem adquire esse entendimento, quando ele menos espera, percebe que sua vida está sendo mudada, que sua vida está sendo abençoada, que os abismos entre a matéria e o espírito estão desaparecendo, que ele próprio está sendo transformado no pão místico do banquete divino, para ser servido para humanidade, a fim de poder alimentar a outros. Eis a realização do grande encontro.
 Todo aquele que acreditar existir outro caminho, pode segui-lo, no entanto, vale sempre lembrar que “o pão não cai do céu”, pois o alimento sagrado está presente no próprio coração do homem.

 Informamos que este trabalho faz parte de uma série que vem sendo apresentado aos Cavaleiros e Damas Templários da Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolymitani - OSMTH Magnum Magisterium.

Non Nobis, Domine, Non Nobis, Sed Nomini Tuo da Gloriam.
Não a nós, Senhor, não a nós, mas a Tua glória.

Recebam o Fraternal Abraço.
S.A.E. Grão-Mestre Dom Albino Neves.

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